Introdução
Kozuki Oden morre antes do arco começar, e mesmo assim Wano é sobre ele. Quando a obra finalmente volta vinte anos no tempo para contar o que aconteceu, o efeito é de encaixar uma peça que estava faltando desde bem antes.
A cena da execução é curta. Ainda penso nela.
O único que navegou com os dois
Oden foi comandante na tripulação do Barba Branca e depois embarcou com Gol D. Roger na viagem final até Laugh Tale. Duas linhagens de pirataria completamente diferentes, e ele esteve nas duas.
Isso o coloca numa posição rara: leu poneglyphs, chegou à última ilha e voltou para casa por vontade própria, para cumprir a promessa de abrir as fronteiras de Wano.
A panela
Orochi propôs o que parecia clemência: se Oden aguentasse uma hora numa panela de óleo fervendo, os retentores seriam poupados. A oferta era mentira e todo mundo naquela praça sabia.
Oden aguentou a hora inteira segurando os nove retentores acima do óleo com as próprias mãos, para que nenhum deles tocasse o fundo. Depois foi morto a tiros por Kaido.
Toki manda nove pessoas para o futuro
A Toki Toki no Mi só envia alguém para frente no tempo, nunca para trás. Toki usou isso para atirar Momonosuke e os retentores vinte anos adiante, exatamente para o momento em que a promessa de Oden venceria.
Gosto de como isso resolve um problema técnico de escrita sem trapacear. A série precisava de aliados que soubessem o que aconteceu vinte anos antes e que ainda pudessem lutar, e a fruta faz isso e nada além disso.
Kaido como oposto exato
Kaido acredita que o que dá sentido a uma vida é o jeito como ela termina, e passou o arco procurando alguém capaz de matá-lo. Isso produz um antagonista sem plano de fuga e sem instinto de preservação.
A Uo Uo no Mi, Modelo: Seiryu, entrega um dragão. E o dragão perde para um pirata de borracha que caiu de Onigashima mais vezes do que era razoável antes de acertar uma.
O que sobra depois
Wano fecha com Momonosuke assumindo o papel do pai e com as fronteiras finalmente abertas, vinte anos depois do prazo que Oden pediu. O arco é longo, tem personagem demais, e eu ainda o defendo.
Tem também o detalhe do diário. Oden registrou o que viu na viagem com Roger, e é por isso que a informação atravessou vinte anos de censura sem depender da memória de ninguém.
A estrutura é o que fica: um personagem morto define a conduta de todos os vivos. Quando Zoro recebe Enma, que era espada de Oden, ou quando Momonosuke repete uma frase que ouviu do pai, o que está acontecendo é transferência de cargo.