O Dogma da Morte Teorias · Hipótese

Aramaki: A Raiz Apodrecida do Mundo - O Fanatismo, O Preconceito Estrutural e a Fome por Destruição

Uma análise monumental, profunda e assustadora da mente do Almirante Ryokugyu. O fanatismo cego pelos Tenryuubitos, o ecossistema brutal do preconceito, a verdadeira hipocrisia de um deus fraco e como a Mori Mori no Mi representa a natureza parasita e corrupta que sustenta Mary Geoise, engolindo a liberdade do mundo.

Introdução

No panteão das forças militares do vasto universo de One Piece, o Quartel-General da Marinha sempre se sustentou sobre pilares ideológicos distintos e, muitas vezes, conflitantes. Desde a 'Justiça Preguiçosa' e melancólica de Kuzan (Aokiji], passando pela 'Justiça Obscura' e duvidosa de Borsalino (Kizaru], até chegar à implacável, incandescente e genocida 'Justiça Absoluta' de Sakazuki (Akainu] e à 'Justiça Cega' de Issho (Fujitora]. Cada Almirante é, em sua essência, uma força da natureza atrelada a uma visão de mundo inabalável, forjada por experiências traumáticas, perspectivas singulares sobre o equilíbrio global e o papel da autoridade suprema. Contudo, quando o mundo ainda cambaleava sob as consequências catastróficas da Guerra dos Melhores em Marineford, o Governo Mundial, num movimento drástico para preencher o vácuo de poder colossal deixado pelas baixas e deserções, instaurou um Recrutamento Mundial sem precedentes. Foi desse caldeirão de anonimato e brutalidade que emergiu um homem cuja própria existência desafia a moralidade e abraça o abismo do autoritarismo em sua forma mais crua, visceral e apavorante: o Almirante Aramaki, universalmente temido pelo epíteto de Ryokugyu, o Touro Verde. Ele não busca a justiça para proteger os inocentes. Ele não busca a ordem para garantir a paz duradoura. Aramaki é o avatar de um ecossistema de horror, um zelote inescrupuloso e fanático que cultua a desigualdade estrutural como uma lei divina e inquestionável, pronto para obliterar qualquer resquício de liberdade e dignidade em nome daqueles que se autoproclamam deuses deste mundo sujo e sangrento.

A essência aterrorizante de Aramaki não reside simplesmente na magnitude colossal e avassaladora do seu poder bélico e destrutivo, embora sua habilidade de subjugar nações inteiras e transformar desertos estéreis em florestas carnívoras, parasitárias e sufocantes com a Mori Mori no Mi seja, inegavelmente, motivo para pânico global. O verdadeiro terror psicológico e existencial que Ryokugyu inspira emana diretamente, profundamente e perturbadoramente da sua mente fraturada, dogmática e perversamente devota. Diferente de Akainu, cujo extremismo violento e banhado em magma e sangue, embora eticamente condenável e abjeto, ainda encontra ecos num pragmatismo militar sádico voltado para a eliminação inflexível e absoluta da pirataria para a manutenção de uma suposta ordem, o fanatismo de Aramaki transcende completamente e assustadoramente as fronteiras da lógica militar, adentrando os domínios macabros, irracionais e cegos de um culto religioso institucionalizado e doentio. Para ele, o mundo não é um campo de batalha entre o bem e o mal, entre a lei e o caos. O mundo é, pelo contrário, um teatro hierárquico rigidamente estabelecido pela vontade cósmica, onde os Dragões Celestiais, os famigerados, asquerosos e cruéis Tenryuubitos de Mary Geoise, repousam intocáveis e inalcançáveis no pináculo sagrado da existência, enquanto todas as outras formas de vida, da realeza de nações não afiliadas até o camponês mais esquecido do East Blue, não passam de escória biológica, adubo prescindível e lixo cósmico. Essa visão brutal, distorcida e fundamentalista faz dele o cão de guarda mais letal, imprevisível e fanático da nobreza mundial, um predador impiedoso e irracional cujo único propósito existencial, e sua única métrica de valor moral, é garantir a perpetuação da opressão sistêmica, esmagando e consumindo quem ousar questionar a estrutura doentia que sustenta o trono vazio de Imu-sama e o luxo ensanguentado dos descendentes dos Vinte Fundadores.

Compreender Aramaki exige que mergulhemos nas profundezas lamacentas, tóxicas e pútridas de uma psique onde o preconceito não é apenas uma falha de caráter ou uma construção social imposta pelo Governo Mundial, mas sim uma lei irrevogável, absoluta e sacrossanta da própria natureza, tal qual a gravidade, a morte e as correntes marítimas imprevisíveis do Novo Mundo. A introdução de Ryokugyu na narrativa de One Piece após o fim do conflito épico e libertador no País de Wano foi um choque brutal, calculista e assustador de realidade, servindo como um lembrete cruel e amargo de que a opressão mundial não depende apenas das sombras e dos segredos guardados no topo da Red Line, mas conta com defensores ferozes, incansáveis, ideologicamente engajados e monstruosamente poderosos, dispostos a aniquilar reinos inteiros com um sorriso debochado e um cigarro entre os lábios, sentindo-se genuinamente validados em sua crueldade. Neste ensaio monumental, colossal e escuro como as raízes que devoram a terra sob nossos pés, dissecaremos minuciosamente a complexidade sombria, a hipocrisia enraizada e a natureza parasitária de Ryokugyu. Investigaremos profundamente como a sua Fruta do Diabo — um poder divino associado, na maioria das culturas folclóricas e mitológicas do mundo, à criação, à fertilidade, à vida abundante e ao renascimento — foi pervertida e distorcida pela sua mente adoecida, autoritária e fanática para se tornar a arma suprema, incontestável e grotesca da subjugação. Analisaremos as fundações psicológicas do seu preconceito estrutural absoluto, seu pavor secreto do colapso de seus dogmas, evidenciado de forma humilhante pelo Haki do Conquistador de Shanks, o Ruivo, e como a sua presença apocalíptica pavimenta e anuncia o conflito definitivo, sangrento e inevitável entre os ideais libertários e revolucionários que varrem os mares e o controle sufocante, asfixiante e genocida do sistema governamental atual.

O Ecossistema da Desigualdade Absoluta: A Visão Deturpada da Natureza

Para decifrar o enigma sombrio, retorcido e aterrorizante que é o Almirante Aramaki, é absolutamente crucial analisar o contraste profundo, paradoxal e filosófico entre a natureza intrínseca, poética e sagrada da sua Fruta do Diabo e a utilização nefasta, corrompida e opressiva que ele faz de seus poderes incalculáveis. O universo folclórico e mitológico japonês e mundial, desde os kodamas serenos do xintoísmo que protegem as florestas ancestrais, passando pelas dríades sábias e etéreas da mitologia grega, até as representações modernas da Mãe Natureza como provedora incondicional da vida, sempre associou o domínio sobre a flora e o crescimento vegetal ao conceito divino e maternal da nutrição, do acolhimento, da renovação cíclica e do refúgio absoluto contra a brutalidade da existência. Quando Ryokugyu foi introduzido, revelando possuir a Mori Mori no Mi, uma Akuma no Mi do tipo Logia que não apenas confere ao usuário o poder de controlar plantas, mas também de incorporar o próprio conceito ecológico da floresta em sua totalidade orgânica e sistêmica, a expectativa instintiva era a de que sua personalidade talvez refletisse uma dualidade harmoniosa, um respeito inerente pela vida cíclica ou até mesmo uma neutralidade caótica, selvagem e imprevisível, semelhante à da própria natureza em seu estado mais puro e livre. No entanto, o que Eiichiro Oda nos apresentou com genialidade cruel e impacto devastador foi exatamente o inverso grotesco, aterrador e antagônico dessa premissa esperada. Em vez da nutrição curativa e do abraço acolhedor da Mãe Natureza, a flora de Aramaki é faminta, parasitária, asfixiante e canibalística. Suas raízes pontiagudas, ávidas e venenosas penetram violentamente na carne fraca e alquebrada de seus adversários derrotados e exauridos, não para semear nova vida em seus corpos, mas para drenar, sugar e consumir egoisticamente, dolorosamente e completamente a energia vital, a água e a essência de suas vítimas até sobrar apenas uma casca murcha, seca e descartável, como ocorreu tragicamente com os temíveis Comandantes dos Piratas das Feras, King e Queen, no devastado País de Wano, cujos corpos outrora colossais foram reduzidos a meros recipientes esvaziados pela sede incontrolável da vegetação assassina do Almirante.

Essa dinâmica predatória, vampírica e impiedosa não é um mero reflexo de sua formidável capacidade combativa ou um recurso estilístico brutal para fins de entretenimento no campo de batalha; ela é, de forma muito mais sinistra e reveladora, a tradução perfeita, irrefutável e biológica da sua filosofia sociopolítica e de sua visão de mundo profundamente doentia. Aramaki enxerga a humanidade em sua totalidade global, a sociedade civil complexa e as nações interligadas não como um organismo vibrante, fraterno e diversificado que deve prosperar, cooperar e evoluir através do auxílio mútuo e do respeito compartilhado, mas sim como uma imensa, implacável e inalterável cadeia alimentar sociológica. E, em sua mente fanática, perturbada e moldada pela propaganda secular do Governo Mundial, o topo dessa cadeia, inalcançável e sagrado, é ocupado inquestionavelmente, eternamente e por direito divino pelos Dragões Celestiais, os desprezíveis Tenryuubitos de Mary Geoise. A natureza, aos olhos fanáticos e cegos de Ryokugyu, não é um sistema harmonioso, belo e equilibrado; ela é a prova biológica irrefutável de que os fracos, os desamparados e os não afiliados não têm qualquer valor inerente à vida a não ser servir de alimento, escudos de carne e recursos sacrificáveis para a sobrevivência luxuosa e contínua dos fortes, dos abençoados e dos escolhidos pelos céus. Ele não apenas defende, com fervor bélico e retórica odiosa, o sistema aristocrático opressivo do Governo Mundial; ele internalizou a opressão como uma força inevitável, incontestável e orgânica. Ele verbaliza explicitamente e sem o menor sinal de remorso, empatia ou hesitação moral, que o mundo só consegue manter a ordem, a paz e a sanidade porque existe uma classe inferior, explorada, massacrada e descartável sendo constantemente esmagada, pisoteada e humilhada pela bota impiedosa e reluzente do autoritarismo institucionalizado.

Esta é a essência do ecossistema da desigualdade absoluta que Ryokugyu prega, venera e protege com a própria vida. Para ele, não há tragédia na aniquilação de um país não afiliado como Wano, não há luto pelas milhares de vidas inocentes perdidas pelas mãos de um tirano pirata, porque, em sua perspectiva fria e genocida, os habitantes daquela terra não possuem direitos humanos básicos, não são sequer considerados humanos perante a lei sacrossanta de Mary Geoise; eles são 'nada', são lixo orgânico cósmico. Essa racionalização doentia e monstruosa permite que Aramaki cometa atrocidades e banhos de sangue em massa não com o peso esmagador da culpa, não com a loucura desenfreada de um psicopata clássico sedento de sangue, e nem sequer com o remorso pesado de quem sacrifica o bem menor em prol de um bem maior e idealista, mas com a tranquilidade arrepiante, serena e sádica de um jardineiro meticuloso podando as ervas daninhas indesejadas que ousam crescer, conspirar ou respirar ao redor do palácio opulento e imaculado de seu mestre. Cada vida que ele ceifa, cada grito de agonia que suas raízes abafam enquanto dilaceram os órgãos internos de um inimigo, é percebido por sua psique deformada como um pequeno, insignificante e necessário ajuste ecológico para garantir que as árvores sagradas da nobreza mundial continuem florescendo em meio ao sangue e à desesperança das massas ignoradas pelo sol da liberdade. A sua mera presença no campo de batalha altera o clima e o bioma, exalando uma aura sufocante de fanatismo letal que transforma o conceito de justiça numa piada macabra, evidenciando que, sob o manto branco de sua farda justiceira, bate um coração podre, escuro e irrecuperavelmente corrompido, cego pela adoração incontestável e repulsiva ao poder absoluto que emana das nuvens celestiais.

O Sangue Frio Sob o Dossel Verde: O Preconceito Estrutural como Motor de Vida

Aprofundar-se na mente do Almirante Ryokugyu é explorar os alicerces apodrecidos do preconceito estrutural institucionalizado, onde a discriminação e o ódio não são meros defeitos morais individuais e superáveis, mas sim virtudes militares exigidas, cultivadas e exaltadas pelo sistema que governa o mundo de One Piece. Aramaki não nasceu com o ódio pulsando em suas veias; o fanatismo é uma semente plantada pela propaganda massiva, pela desumanização sistemática e pela ignorância deliberada, meticulosamente irrigada com privilégios vazios e recompensas baseadas na obediência cega. O seu ódio fulminante contra as nações que operam fora da jurisdição legal, tributária e militar da 'Justiça Absoluta' do Governo Mundial é a expressão máxima, irrefutável e perigosa do imperialismo genocida. Quando ele chega às margens ensanguentadas e ainda esfumaçadas da recém-libertada Wano, sua intenção não é restaurar a ordem num sentido altruísta, diplomático ou reparador para o povo sofrido que havia passado as últimas duas décadas sendo escravizado, envenenado e massacrado pelas engrenagens bélicas de Kaido e pelo sadismo administrativo de Kurozumi Orochi. Muito pelo contrário, sua intenção é se aproveitar do vácuo de poder brutal para reivindicar a cabeça de Monkey D. Luffy e subjugar os sobreviventes enfraquecidos sob uma nova e terrível forma de escravidão, desta vez sob a bandeira branca e imaculada da Marinha. A lógica que o conduz é fria, calculista, insana e repulsiva: 'Aqueles que não pertencem ao Governo não têm direitos. Eles podem ser massacrados sem que isso seja considerado crime.'

Esta frase aterradora, dita por Ryokugyu sem o mínimo sinal de constrangimento ético ou culpa, é talvez uma das declarações de princípios mais explícitas, sombrias e reveladoras sobre a verdadeira e asquerosa natureza do poder em Mary Geoise já documentadas na história da Grand Line. Aramaki abraça a falácia dogmática de que a moralidade, o valor intrínseco de uma vida e a dignidade humana não são qualidades inalienáveis concedidas pelo simples fato de se estar vivo, respirar e sonhar, mas são, em vez disso, concessões burocráticas, artificiais e temporárias outorgadas por um grupo seleto, cruel e arbitrário de deuses que habitam os céus intocáveis da Red Line. Ele vive e respira a falácia, tornando-se uma ferramenta letal cujos instintos críticos foram voluntariamente amputados e substituídos por um devocionário cego à hierarquia celestial. O preconceito, para ele, é o próprio motor da civilização e da sobrevivência. Ele argumenta freneticamente que a opressão dos povos não afiliados é o imposto necessário, o sacrifício de sangue indispensável para manter a prosperidade brilhante e o conforto ilusório dos que vivem dentro do cercadinho protegido pelo Governo. A floresta de espinhos envenenados e raízes estranguladoras que ele projeta ao seu redor não é apenas um espetáculo de poder elemental avassalador; é a metáfora viva, cruel e visual da sociedade que ele protege com unhas, dentes, suor e sangue: uma sociedade onde as plantas maiores, mais fortes e abençoadas pelo sistema só sobrevivem porque extraem incessantemente e impiedosamente cada gota de seiva, esperança e vida das menores, que apodrecem na base escura e esquecida do estrato social.

Nessa simbiose macabra de fanatismo ideológico e dominação territorial, Ryokugyu transcende a figura clássica e tradicional do antagonista naval ou do marinheiro leal que cumpre ordens a contragosto. Ele representa a ameaça suprema e apocalíptica da obediência patológica ao mal encarnado. Sua recusa feroz, teimosa e irracional em reconhecer a autonomia, a força de vontade e o direito à vida de Wano ou de qualquer outra ilha independente é o reflexo perturbador e fiel de um império decadente que, temendo desesperadamente o seu próprio colapso iminente diante das chamas ardentes e incontroláveis da Revolução, enrijece suas garras e intensifica sua tirania até as últimas e sanguinárias consequências. A forma como Aramaki ataca, utilizando cipós imensos que empalam, rasgam e drenam os guerreiros de Wano, mimetiza dolorosamente e perfeitamente a forma como o próprio sistema de Tributo Celestial dos Dragões Celestiais drena as nações submissas, transformando reis orgulhosos e populações outrora vibrantes e prósperas em mendigos esqueléticos, desesperançosos e despojados de sua humanidade. O Touro Verde, portanto, não é apenas um usuário incrivelmente habilidoso, perigoso e letal da Mori Mori no Mi; ele é a personificação encarnada da doença estrutural, do canibalismo sistêmico e da fome predatória que ameaça devorar o mundo inteiro em nome da estabilidade dos céus.

A Hipocrisia Existencial: A Natureza Que Serve a um Deus Artificial

A maior, mais gritante e trágica ironia que permeia a existência deplorável, monstruosa e aterrorizante do Almirante Aramaki repousa inegavelmente na contradição excruciante, visceral e paradoxal entre a força indomável da natureza que ele representa fisicamente e a servidão submissa, covarde e cega que ele presta aos governantes menos naturais, mais artificiais e abjetos do planeta. A natureza, em sua essência primordial, caótica e desimpedida, é uma força incontrolável que nivela todos os seres vivos perante o abismo inevitável da morte e o ciclo contínuo, eterno e pulsante do renascimento orgânico. Uma árvore frondosa não escolhe abrigar apenas os reis em suas sombras, assim como um furacão furioso e tempestuoso não desvia intencionalmente a sua rota destrutiva e apocalíptica para poupar os ricos palácios de mármore. A natureza é o verdadeiro juiz imparcial, frio e justo do mundo. No entanto, Ryokugyu perverte e mutila essa verdade universal de forma obscena e repugnante. Ele molda o poder ancestral, ilimitado e vital da flora para servir como chicote letal e guilhotina impiedosa dos autoproclamados deuses de Mary Geoise, sujeitos imundos e desprezíveis que vivem isolados em bolhas de ar limpo, aterrorizados pela contaminação do mundo real, dependentes de escravos para respirar e andar, sendo as antíteses completas de qualquer forma genuína de vitalidade orgânica ou força evolutiva e darwiniana.

Nessa submissão fanática, irracional e nojenta aos Tenryuubitos, Aramaki comete a maior traição imaginável contra o espírito indomável e livre da própria Mori Mori no Mi. Ele reduz o ecossistema complexo, rico e maravilhoso, capaz de milagres e curas, a um mero conjunto engessado e opressivo de regras e punições, transformando o crescimento natural, outrora símbolo de esperança, em um agente cancerígeno que mata os indefesos. A hipocrisia de sua filosofia é exposta a nu, nua e crua, quando ele discursa sobre a ordem natural das coisas, justificando que os fortes devem governar os fracos e os puros devem liderar os impuros. Porém, ele convenientemente e covardemente ignora o fato óbvio e inquestionável de que os governantes aos quais ele devota sua vida e sua força não são fortes em nenhuma métrica que a natureza reconheça ou respeite. Eles não possuem instinto de sobrevivência, bravura em combate, resiliência perante o caos ou mesmo força muscular e espiritual. Eles são parasitas fracos, frágeis, decadentes e covardes, que só se mantêm no poder supremo por intermédio da violência terceirizada, brutal, indiscriminada e cega que cães de guarda monstruosamente poderosos, como ele próprio, aplicam sistematicamente e letalmente contra os revolucionários e camponeses revolucionários que lutam por uma migalha de luz e esperança. A reverência nauseante de Aramaki por essa artificialidade flagrante evidencia uma profunda covardia existencial, uma mente tão oca que necessita desesperadamente e patologicamente de um senhor absoluto, cruel e implacável para justificar o terror sanguinolento que suas mãos verdes, cheias de espinhos mortais e raízes vorazes, semeiam pelo mundo inteiro.

O Medo do Haki de Shanks e o Colapso da Fé: Quando o Falso Deus Falha

A fachada de ferocidade implacável, de deboche genocida, de arrogância infinita e de poder incontestável de Ryokugyu rachou irreparavelmente, humilhantemente e dolorosamente sob o peso esmagador de um único fenômeno, brutal, divino e inigualável no campo de batalha de Wano: a explosão titânica, ensurdecedora, avassaladora e quilométrica do Haki do Conquistador Supremo exalado pelos poros do Yonkou Shanks, o Ruivo. O momento em que Aramaki paralisa, suando frio, recuando amedrontado e desfazendo a sua forma bestial de madeira maciça e raízes monstruosas, enquanto suplica desesperadamente pela própria vida antes mesmo de ver o rosto do seu algoz invisível, é um dos contrastes mais poderosos, poéticos e reveladores da obra colossal de Eiichiro Oda. Essa fuga covarde não é simplesmente e apenas o reconhecimento lógico e militar da esmagadora superioridade tática e espiritual de Shanks. É, num nível muito mais profundo, psicológico, sombrio e íntimo, o colapso instantâneo, traumático e humilhante de um dogmatismo oco, artificial, fundamentalista e estruturalmente fragilizado, que encontra o seu verdadeiro limite moral e físico perante o abismo infinito e escuro da vontade livre e indomável dos mares.

Para um zelote cego e extremista como Aramaki, que condicionou sua própria psique doentia, sua sanidade fragmentada e sua alma corrompida à crença absoluta, infantil e desesperada na autoridade divina, incontestável e inabalável dos Dragões Celestiais e da Marinha sobre todas as coisas vivas, a manifestação do Haki do Rei é a refutação viva, tangível, dolorosa e esmagadora da sua própria essência fútil e escravizada. O Haki de Shanks, focado, incisivo e arrebatador, representa a suprema anarquia da vontade, a soberania do indivíduo que, sem coroas artificiais de ouro ou mandatos divinos inventados, curva, distorce e domina o mundo ao seu redor puramente e unicamente através do espírito inquebrável, da coragem absoluta e da dignidade que Ryokugyu jamais conhecerá. Diante de uma força autêntica, primeva e não burocratizada, a religião distorcida do Touro Verde falha miseravelmente, fragmentando-se em mil pedaços microscópicos de pavor instintivo e pânico animal. Ele foge de Wano como um inseto asqueroso escorraçado pela luz ofuscante do sol, revelando brutalmente que, por trás da máscara aterradora do Almirante sádico e impiedoso, há apenas uma alma servil, medíocre, aterrorizada e fundamentalmente fraca, desesperada por encontrar validação e aprovação em deuses de papel que se esconderam no cume falso da humanidade.

O Futuro de Ryokugyu: O Sacrifício Supremo no Altar de Imu-sama

Enquanto os ventos revoltos do destino implacável e das chamas incontroláveis da rebelião global se avolumam em proporções catastróficas, épicas e apocalípticas para engolfar e destruir permanentemente e definitivamente os alicerces apodrecidos e manchados de sangue da Red Line, o papel de Ryokugyu na guerra colossal que se avizinha é inegavelmente sombrio, inevitável, trágico e sanguinolento. Diferente de Almirantes como Kuzan, que escolheu o exílio solitário e o caminho gelado e tortuoso das próprias convicções, ou Fujitora, que constantemente aposta a própria cegueira nas mudanças das marés e nas chamas de uma justiça nova e purificada, ou até mesmo Kizaru, cujo conflito interno lateja sob a sua máscara de despreocupação irônica, Aramaki está inseparavelmente, irremediavelmente e eternamente preso à sua própria retórica odiosa e ao seu fanatismo repulsivo. Ele não será, em hipótese alguma, convencido por discursos de liberdade emocionados. Ele não será seduzido por laços de irmandade ou por empatia compassiva e calorosa. Ele está predestinado, pelas correntes obscuras que forjou ao redor da própria alma envenenada, a afundar catastroficamente junto com o navio furado, podre e imundo da nobreza mundial que ele cultua com adoração doentia e assassina.

No clímax épico, devastador, escatológico e monumental da narrativa cósmica de One Piece, o confronto final envolvendo o Almirante Aramaki não representará, sob nenhuma ótica, uma simples, pura e protocolar batalha estratégica pelo controle militar de territórios marítimos, mas sim a manifestação catártica, existencial e final entre o autoritarismo cego encarnado num monstro de espinhos e o desejo irreprimível, luminoso, revolucionário e selvagem pela libertação do espírito humano. Quando os exércitos rebeldes do Exército Revolucionário e as hordas formidáveis de piratas sonhadores ascenderem à Terra Sagrada de Mary Geoise com tochas nas mãos e fúria nos olhos, o Touro Verde será, sem sombra de dúvidas, a última, maior, mais monstruosa e letal barreira ecológica, enraizada, espessa e desesperada de proteção antes do Trono Vazio. Ele espalhará as sementes do apocalipse verdejante, erguendo florestas titânicas de morte dolorosa, espinhos banhados em veneno asfixiante e desespero sufocante, não para proteger o que é genuinamente correto ou virtuosamente bom, mas para manter e perpetuar um cemitério mundial habitado por falsos ídolos e deuses corruptos. Contudo, assim como todas as árvores que crescem envenenadas e doentes pela corrupção do solo imundo e putrefeito, as suas raízes ideológicas cegas e fanaticamente podres eventualmente cederão, quebrarão e apodrecerão permanentemente, consumidas implacavelmente e irremediavelmente pelas chamas crepitantes da verdade universal e eterna: o alvorecer, inevitável, triunfal, majestoso e resplandecente do novo mundo, livre das amarras do preconceito, não pode e nunca poderá ser sufocado pelas garras sombrias e venenosas da opressão sistêmica, não importa quantos espinhos, mentiras ou monstros terríveis o Governo Mundial mande contra ele.

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