Introdução
Sakazuki afundou um navio de civis em fuga de Ohara porque suspeitava que houvesse um pesquisador a bordo. Não foi punido. Anos depois virou o comandante máximo da instituição.
Guarde essa promoção. Ela responde melhor que qualquer discurso a pergunta de qual justiça a Marinha pratica quando precisa escolher.
A justiça que não admite perda aceitável
A linha de Sakazuki parte de um cálculo simples: um mal que escapa hoje vira uma catástrofe amanhã, logo excesso é prudência. Dentro dessa lógica, matar civis para não deixar um alvo fugir é decisão correta.
O que assusta é a consistência. Ele aplica isso a inimigos, a subordinados e a si mesmo, sem exceção e sem prazer aparente.
Uma instituição com alguém assim no topo fica extremamente eficiente e perde qualquer capacidade de recuar de um erro. Não existe passo atrás numa doutrina que trata dúvida como fraqueza.
A justiça que deixa passar
Kuzan opera no extremo oposto: cumpre a função, evita o excesso e ocasionalmente escolhe não capturar quem poderia capturar. Ele chamava o próprio jeito de trabalhar de justiça relaxada, quase como piada.
Depois de Marineford, com Sakazuki no comando, ele deixa a Marinha. A instituição não expulsou essa doutrina: ela simplesmente ficou insustentável dentro da nova gestão.
Garp resolveu o problema recusando o cargo
Garp recusou promoção a vida inteira. Ficou como vice-almirante por escolha, treinando gente e caçando piratas do jeito dele, sem nunca assumir responsabilidade institucional pelo que a instituição faz.
É uma solução honesta e covarde ao mesmo tempo. Ele não quis servir aos Dragões Celestiais e também não quis enfrentá-los, então escolheu um posto de onde não precisava decidir.
Koby é a aposta que a obra faz
Koby entrou como piada de personagem fraco e virou o único oficial que argumenta que salvar vida vem antes de vencer batalha. Em Marineford ele grita isso no meio de uma guerra e é ouvido, o que é bastante improvável e funciona por causa de tudo que veio antes.
Ele representa uma quarta possibilidade: servir à população em vez de servir ao Governo Mundial. A obra ainda não disse se isso cabe dentro do uniforme.
Enquanto isso a instituição segue funcionando com todas essas doutrinas convivendo no mesmo prédio, o que explica por que dois oficiais da Marinha podem chegar à mesma ilha e fazer coisas opostas com a mesma autoridade.