Introdução
Hody Jones nunca foi escravizado. Nenhum humano fez nada contra ele, em momento algum. Ele cresceu ouvindo histórias sobre o que humanos fizeram, gostou do que a raiva fazia com ele e montou uma carreira em cima disso.
Muita gente chama isso de defeito de escrita. Discordo. É o único jeito de mostrar a diferença entre a raiva do Arlong, que teve causa concreta, e a raiva que já vem pronta na geração seguinte.
Fisher Tiger e a recusa mais dura da série
Tiger invadiu Mariejois, abriu as celas e tirou de lá gente de todas as raças. Depois passou a vida evitando admitir que ele mesmo havia sido escravo, porque isso daria à causa dele um motivo pessoal quando ele queria um motivo maior.
Ferido, recusou transfusão de sangue humano e morreu. É a cena que define o limite do personagem: libertou humanos acorrentados e não conseguiu aceitar sangue humano no próprio corpo.
A rainha que pediu assinaturas
Otohime escolheu o caminho mais lento possível: juntar assinaturas de uma ilha inteira para levar ao Reverie um pedido de mudança para a superfície. Passou anos apanhando de descrença dentro da própria casa.
Ela foi morta com um tiro, e o autor do tiro foi um homem-peixe. Hody. A ilha passou anos acreditando que a culpa era de um humano, e essa confusão serviu perfeitamente a quem atirou.
O atalho químico
Hody e os oficiais dele usaram Energy Steroid para multiplicar força na hora da briga. O preço é o corpo: uso repetido envelhece de forma irreversível, e eles aceitaram sem hesitar.
Do ponto de vista temático é uma escolha ótima. O grupo que se vendia como orgulho puro da espécie precisou de comprimido para chegar perto do nível dos personagens que queria desafiar.
Jinbe carrega o que sobrou
Jinbe é quem mais paga pelo histórico da ilha. Herdou os Piratas do Sol depois de Tiger, aceitou o cargo de Shichibukai por cálculo político e passou anos tentando conter o que Arlong soltou no East Blue.
Quando ele pede desculpas à Nami, a cena não tem nada de confortável. Ele não fez o que Arlong fez, mas era quem tinha autoridade para impedir e não impediu.
Uma princesa que é arma ancestral
Shirahoshi é Poseidon, e a obra entrega isso no meio do arco. A implicação é enorme: a capacidade de convocar Reis dos Mares aparece uma vez por era, e desta vez calhou de nascer numa garota que chora com facilidade e não quer machucar ninguém.
É o tipo de piada séria que a série faz bem. A força mais destrutiva do planeta está do lado que menos tem vontade de usá-la.