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Buster Call: dez navios, cinco vice-almirantes e nenhum julgamento

A arma mais pesada do Governo Mundial é uma chamada telefônica. O horror do procedimento está na papelada, não na explosão.

Retrato autoral de Sengoku
Ilustração de Sengoku

Introdução

Dez navios de guerra sob comando de cinco vice-almirantes chegam a uma ilha e a apagam. Essa é a composição nominal, e ela dispensa qualquer almirante sair da cadeira.

O que assusta na medida não é o poder de fogo. É o fato de ela ser acionada por um aparelho de comunicação nas mãos de um funcionário autorizado.

A composição

Dez encouraçados e cinco vice-almirantes formam o formato padrão. Quando a situação pede mais, a Marinha soma reforços, mas a estrutura básica é essa.

Reparar no posto escolhido diz muito. Vice-almirante é gente que comanda frota, sabe conduzir bombardeio coordenado e não precisa de supervisão. A instituição confia o serviço mais grave a quadros de segunda linha hierárquica.

A ordem parte do alto e não é discutida no caminho. Quem recebe executa, e a ilha alvo não é notificada.

Ohara é o precedente

Uma ilha de pesquisadores foi eliminada porque estudava pedras proibidas. Não houve processo, defesa, nem tentativa de prisão em massa: houve bombardeio até a ilha deixar de existir.

A operação também mostrou que o procedimento não distingue alvo de vizinhança. Quem estava na ilha por outro motivo morria igual.

Enies Lobby inverte a piada

A segunda vez que a série mostra o procedimento em ação, ele é acionado por um sujeito nervoso e incompetente, contra a própria ilha do Governo Mundial, com os agentes do Governo Mundial ainda dentro dela.

É o mesmo poder de fogo de Ohara aplicado com resultado ridículo. Oda usa a repetição para tirar a aura do procedimento: a arma continua terrível, a instituição que a controla é operada por gente pequena.

E funciona como comentário político sem discurso nenhum. Um botão capaz de apagar uma ilha está acessível a alguém que ninguém contratou pela competência.

Por que o recurso rende tanto

A ameaça tem prazo. Assim que a ordem sai, existe um cronômetro narrativo, e a tripulação precisa terminar o serviço antes da frota chegar.

Também transfere o vilão para fora da cena. Não tem quem derrotar: a frota é consequência administrativa, e o único jeito de vencer é sair de lá.

Poucos recursos de roteiro fazem tanto trabalho com tão pouca explicação. Uma ordem, um número de navios, um relógio andando.

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