Alabasta Sagas e arcos

Baroque Works: o golpe que Crocodile quase deu em Alabasta

Como uma organização de agentes numerados transformou uma seca em guerra civil, e por que o plano dependia mais de fofoca do que de força.

Retrato autoral de Crocodile
Ilustração de Crocodile

Introdução

Crocodile não tomou Alabasta com areia. Tomou com boato. A Baroque Works passou anos montando uma estrutura de agentes numerados, com codinomes ridículos e hierarquia de escritório, e o objetivo final era fazer o povo odiar o próprio rei.

Continua sendo o arco mais político da primeira metade. Ninguém precisa entender de Akuma no Mi para acompanhar. Precisa entender de manchete.

Uma organização criminosa com organograma

Os agentes recebiam número e apelido conforme a posição: Mr. 0 no topo, os números altos na base, cada agente masculino acompanhado de uma parceira batizada com nome de dia da semana ou de data comemorativa. Quase nenhum deles sabia quem era o chefe.

Esse compartimento é o que faz o golpe funcionar, e também onde ele racha. Vivi entra como Miss Wednesday, sobe o suficiente para descobrir o nome do líder, e é por isso que Crocodile passa o arco inteiro tentando matá-la. Ela é a única falha de segurança do sistema.

A seca que virou processo contra o rei

O reino tinha um problema de chuva e um culpado conveniente. Espalhou-se que a família real usava Dance Powder para roubar a chuva das cidades vizinhas, e a acusação pegou porque o pó existe de verdade, é proibido de verdade e força precipitação de verdade.

Rebelde não é sinônimo de vilão aqui. Koza tinha motivo. Um exército inteiro se levantou contra Nefertari Cobra convencido de que o rei havia condenado o próprio povo à sede, o que é uma leitura bastante razoável para quem só teve acesso à informação que Crocodile deixou circular.

O trono era meio, não fim

Crocodile queria Pluton. O poneglyph com a localização da arma ancestral estava guardado em Alabasta, e a guerra civil serviria para justificar sua entrada como salvador e futuro dono do país.

Ele era Shichibukai na época, e isso importa mais do que a Suna Suna no Mi. O título do Governo Mundial garantia que ninguém fosse fiscalizar seus movimentos por anos, cobertura política que nenhum pirata comum teria conseguido comprar.

Cinco minutos e um homem subindo

O arco termina com uma bomba de relógio na praça e Pell subindo com ela nas costas. É a decisão mais seca da saga: um oficial da guarda real calcula quanto tempo tem, sobe até onde a explosão não alcança ninguém e aceita o resultado. Ele sobrevive, mas no instante em que decola nenhuma pessoa naquela praça tinha motivo para apostar nisso.

Depois vem a marca no antebraço. Vivi não entra na tripulação, e o X desenhado no braço esquerdo funciona como contrato assinado: ela fica, eles vão, o vínculo continua valendo mesmo sem ninguém falar sobre isso de novo.

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